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Precisamos falar sobre Depressão e Ansiedade

Texto: Viana

A campanha Setembro Amarelo pode estar na sua última semana de atividades, mas mexe com um assunto que deve ser tratado com a mesma importância todos os dias. De acordo com as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgadas em 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão.

A depressão afeta cerca de 11,5 milhões de brasileiros, isso coloca o país no topo do ranking de maiores casos de depressão da América Latina e o segundo nas Américas, atrás somente dos Estados Unidos. A pesquisa ainda aponta o Brasil como recordista mundial em casos de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o transtorno. Ao todo, são 18,6 milhões de pessoas.

Mas como identificar se você ou alguém próximo pode estar sofrendo de depressão ou ansiedade patológica? E como procurar ajuda?

Talvez este texto possa te ajudar.

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Segundo a psicóloga Elis Domingues, professora do curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), é importante entender que a ansiedade por si só não caracteriza uma patologia (doença ou um sofrimento). Um exemplo claro seria aquela ansiedade antes de uma prova ou de um evento importante.

Já a ansiedade em nível patológico está ali com o sujeito grande parte do tempo. Ela prevalece em situações distintas e causa sentimentos como angústia, pavor e medo por antecipação, que podem resultar até em insônia e dificultar a qualidade de vida do indivíduo. Essa sim é aquela ansiedade que merece maior atenção.

Ainda de acordo com a psicóloga, para identificar se uma pessoa sofre de ansiedade patológica é preciso conhecer a rotina dela. Como ela se comporta diante de situações que são novidades e se essa ansiedade e a angústia a impede de exercer coisas que, para a grande maioria das pessoas, é algo normal. Isso pode indicar que ela precisa de ajuda.

Já nos casos de depressão, devemos saber diferenciá-la de uma tristeza corriqueira, que segundo a professora é até saudável. Então se a pessoa vive alguns momentos tristes, mas consegue exercer as atividades de costume e ter qualidade de vida para se relacionar bem com as outras pessoas, essa tristeza tende a se dissolver no dia a dia, e não caracteriza uma depressão. O que vai configurar depressão é quando essa tristeza se prolonga. Quando essa tristeza vai além daquilo que é saudável, que é normal, que é esperável.

Diferente da ansiedade, a depressão tem características mais visíveis. Alguns sintomas são a falta ou o aumento desenfreado de apetite, distúrbio do sono, dificuldades de se relacionar e de se comunicar, isolamento repentino, falta de interesse de sair de casa e de participar de atividades que geralmente pessoas da mesma faixa etária gostam de fazer.

Vale reforçar que essas situações devem ser levadas em consideração caso não faça parte do histórico desta pessoa durante o decorrer da sua vida. Como por exemplo, atividades que ela sempre fazia e hoje não faz mais. Ou seja, se a pessoa para a rotina dela em vários aspectos, já são sinais de um início de depressão.

Hoje, existem serviços públicos e instituições sem fins lucrativos que auxiliam pessoas que podem estar sofrendo. Agora que você já sabe identificar os sintomas desses dois transtornos, vamos te indicar algumas formas de ajudar ou pedir ajuda:

Centro de Valorização da Vida  (CVV)

O Centro de Valorização da Vida  (CVV) é uma associação sem fins lucrativos que oferece apoio emocional de prevenção ao suicídio para pessoas que desejam conversar com garantia de sigilo. Eles atendem todas as regiões brasileiras pelo número 188 e, assim como o serviço, a ligação também é gratuita de telefone fixo, celular e orelhão. A assistência é oferecida 24 horas, todos os dias da semana e também pode ser feita pelo site da instituição.

Rede pública de saúde

O mais recomendado a se fazer para ajudar uma pessoa com depressão ou ansiedade é encaminhá-la a um profissional qualificado, para que ela seja devidamente acompanhada, tratada e até medicada, de acordo com as suas necessidades. E que assim ela possa retornar a ter qualidade de vida.

Na rede pública de saúde, quem precisa de ajuda psicológica pode recorrer aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. Para receber atendimento, a pessoa deve se deslocar a uma unidade de saúde básica para ser encaminhada a um dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), conforme a sua necessidade. Para mais informações, você pode entrar em contato com a secretaria de saúde da sua cidade.

Facebook

No Facebook, existe uma ferramenta em que os usuários podem ajudar amigos quando perceberem publicações com tendências depressivas ou até mesmo suicidas. Caso se depare com esta situação, denuncie a publicação e siga essas instruções.

Entre em “Dar Feedback sobre esta publicação”, depois clique na opção “Suicídio e automutilação”, depois em “enviar”. Com isso a rede social oferece as seguintes opções:

  • Oferecer ajuda ou suporte;
  • Contatar um amigo;
  • Peça para verificarmos a publicação;
  • Ou enviar a publicação para ser analisada pelo Facebook;

Com a publicação denunciada, o Facebook enviará para seu amigo uma imagem de auxílios, números telefônicos de instituições especializadas e também dicas como a pessoa pode se abrir com alguém, ou mudar algumas atitudes do seu cotidiano. Não se preocupe, a denúncia é sigilosa e seu amigo não saberá que foi você.

Pronto! Você conheceu as instituições e os serviços públicos, e já pode ajudar ou pedir ajuda. Você que está vivendo momentos difíceis, conseguiu perceber que existem pessoas que se importam com você? Não passe por isso sozinho. Fale!

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Imagem e Simbolo oficial da campanha “Setembro Amarelo”

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