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Dia Internacional da Mulher: “Mulheres na Resistência” gritam por direitos e igualdade nas ruas de Itajaí

Marielle Franco esteve presente nas falas dos manifestantes durante o ato

Confira a cobertura fotográfica completa aqui: https://flic.kr/s/aHsmwug1Gf

Dia de respeito. No mundo todo, atos remetem ao dia 8 de março para reconhecer conquistas históricas na luta pelos direitos das mulheres. Em Itajaí, cerca de 200 pessoas foram às ruas, neste sábado (09), com cartazes, adesivos e caras pintadas para combater a violência contra a mulher e discutir causas feministas. As atividades iniciaram em frente ao Museu Histórico e seguiram até o Mercado Público.

A manifestação chamou a atenção de quem passava no local. Pessoas de diferentes gêneros, idades e etnias se reuniram para gritar por direitos e igualdade e engajar pessoas causa contra os casos de feminicídio, abusos e violência registrados em todo território nacional.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Tayná Iaconis Braga, 29 anos, integra o grupo Mulheres na Resistência, o Setorial de Culturas Afro-brasileiras e também o coletivo Frente Negra da Universidade do Vale do Itajaí. Para ela, o problema é cultural e por isso a presença masculina é importante.

“Eu entendo o que eu não quero pra mim, mas eles não entendem o que não podem fazer comigo. Além deles, precisamos atingir também quem não entendeu que está sendo oprimida”, comentou. “Enquanto não incomodarmos, não fizermos barulho, eles não vão entender que estão oprimindo e nós também não vamos saber que somos oprimidas”, concluiu.

Daniel Olivetto, de 39 anos, participou do ato e acredita que essa é uma luta de todos. “Deixou de ser uma batalha só de vocês, mulheres. É uma luta minha como LGBT, da comunidade negra. É uma luta pela vida”, argumenta.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Durante o ato, manifestantes relembraram o caso de Marielle Franco, vereadora do PSOL no Rio de Janeiro morta em 14 de março de 2018. Após quase um ano do crime, as perguntas nos cartazes permanecem sem resposta: Quem matou Marielle? E quem mandou matar?

“A mulher negra não luta só por ser mulher, a gente luta também por ser negro. Marielle representou as mulheres negras e o grito dela, mesmo interrompido, não se calou. O grito de Marielle se proliferou. Eu sinto ela aqui”, destacou Tayná.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Quem passou pelo Calçadão Hercílio Luz pôde observar a exposição de 183 calçados que carregavam os casos de feminicídios registrados em 2019. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulher pelo simples fato de ela ser mulher. Entre os estados brasileiros, Santa Catarina é o segundo com maior taxa de estupros registrados.

Exposição com 183 calçados para simbolizar o número de feminicídios até fevereiro de 2019. Créditos: Bruna Bertoldo/Coletivo Jornaleiros

As apresentações culturais conduziram as primeiras horas do evento. O calçadão da Hercílio Luz deu ouvidos à poemas, músicas e textos autorais, além de pessoas públicas ativas na causa. Relatos de vítimas de violência contra mulher foram espalhados em faixas para facilitar a leitura de quem passava pelo centro comercial da cidade.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

No trajeto até o Mercado Público, falas sobre machismo, estupro, violência e direitos das mulheres foram reforçadas. Também se ouviu gritos contra o presidente da república, Jair Bolsonaro. Frases como “machistas não passarão”, “fascistas não passarão”, “se cuida seu machista pois a América Latina será toda feminista”, além de dados oficiais sobre feminicídios e violência foram gritados em coro pelos manifestantes.

A professora aposentada e simpatizante do movimento “Lula Livre”, Geonete Bernardi Peiter, 65 anos, acredita que “a democracia se faz na luta e é por isso que estamos na rua: pelos direitos das mulheres e pela democracia”.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

O ato convocado pelo coletivo Mulheres na Resistência teve em sua organização lideranças de partidos, movimentos sociais, seguimentos organizados e religiosos. De acordo com Juliana Castro Ayres, 32 anos, o objetivo é lutar a favor das mulheres trabalhadoras.

“Lutamos contra o feminicídio, naturalizado no nosso país; contra a reforma da previdência; e a favor da igualdade de gênero”, destacou a advogada integrante do grupo e filiada ao PSOL de Itajaí, Juliana.

As atividades em alusão ao Dia da Mulher continuam neste domingo (10) com o Sarau “Liberte seu Imaginário“. Na terça-feira (12), terá roda de conversa no Museu Histório Itajaí sobre feminicídio, previdência e ramificações do feminismo e na quinta-feira (14) o Ato Alusivo à Marielle Franco organizado pelo Setorial LGBTQI+ do PSOL de Itajaí com apoio do grupo Mulheres na Resistência.



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