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Crítica | Capitã Marvel

Filme coerente com o Universo Marvel, mas tímido demais para ser memorável


Capitã Marvel carrega consigo o peso de ser um filme de heroína representativo para o público feminino e que há muito se fazia necessário dentro do Marvel Studios. Com a personagem, o girl power pediu passagem e já se estabeleceu em meio aos heróis consagrados da marca – destaque para a tríade Homem de Ferro, Capitão América e Thor.

Logo de início fica fácil sentir empatia por Carol Danvers, interpretada por Brie Larson. A personagem título tenta, erra, levanta e esse ciclo se repete não uma, mas várias vezes. Isso ocorre em diferentes fases, como na infância, na adolescência e já na fase adulta como piloto da Força Aérea dos Estados Unidos. O empoderamento feminino tempera todo esse prato e o deixa com cara de novo, só que numa apresentação que engana o estômago.

As nuances de sua história, tanto na Terra quanto no espaço, são trabalhadas com coerência em relação à fórmula Marvel, seguida à risca para amarrar os detalhes com humor a outros filmes deste universo compartilhado. Entretanto, é a partir deste ponto que o filme perde o enorme potencial para tratar de temas relevantes (foco para o machismo) e o peso inicialmente citado neste texto fica mal sustentado. O longa-metragem engatinha e até alcança a discussão com piadas, mas a timidez não o deixa ultrapassar esse limite. Proposta que Pantera Negra executou com maestria em suas discussões.

O enredo é sim bem estruturado. O primeiro ato junta explicações lentas para situar o fã e ação frenética no conflito entre as raças Kree e Skrull. Na segunda metade, destaque para a atuação de Samuel L. Jackson e seu Nick Fury. Sem ele o filme perderia pontos preciosos, deixaria Carol sem um parceiro à altura e jogaria o núcleo terrestre no segundo plano. Já o Agente Coulson (Clark Gregg) destoa um pouco na história e infelizmente não é utilizado de forma marcante.

Talos (Ben Mendelsohn) e Yon-Rogg (Jude Law) cumprem acertadamente o papel de antagonistas da história com ajuda da atuação dos atores. Destaque para o primeiro, que em uma aliança improvável com os “mocinhos”, nos faz olhar para além do preto e branco e descobrir a paleta de cores presente na guerra. A amiga Maria Rambeau (Lashana Lynch) e sua filha Monica (Akira Akbar) quebram a banca na história e ajudam a resgatar o passado de Carol aos poucos, e a ausência de um par romântico foi uma decisão certeira. No terceiro ato é que a trama acelera e entrega um filme redondo, amarradinho, só que repito: tímido.

Timidez nos efeitos visuais. Muito bem feitos no rejuvenescimento de Fury e Coulson, pouco lembráveis em cenas de ação ou com a Inteligência Suprema (Annette Bening). A trilha sonora tenta usar de músicas pop – assim como Guardiões da Galáxia e Thor: Ragnarok – para emular o espírito dos anos 90 e deixar o longa marcante. Tentativa válida, porém, com acanho e que você esquece assim que termina de assistir.

Capitã Marvel é um bom filme solo de apresentação da personagem mais poderosa até então do Universo Cinematográfico da Marvel, para servir de oponente ao Thanos em Vingadores: Ultimato. Um filme que flerta com novos caminhos que a franquia da Disney pode seguir: o espaço. E um filme que poderia ousar mais nos temas sociais e ter se tornado memorável neste sentido.

NOTA: 7,5.


FICHA TÉCNICA

Ano: 2019

País: EUA

Classificação: Livre

Duração: 124 min

Direção: Anna Boden, Ryan Fleck

Roteiro: Geneva Robertson-Dworet, Anna Boden, Ryan Fleck

Elenco: Ben Mendelsohn, Brie Larson, Jude Law, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, Lashana Lynch, Annette Bening


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