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Coisa Mais Linda: nova série da Netflix aborda desigualdade de gênero, racismo e política

Produção brasileira mostra luta feminina na virada da década de 60


Machismo, política, música e sororidade. A trama de “Coisa Mais Linda” é inspirada na década de 50 do Rio de Janeiro e se constrói na luta dos direitos femininos. Para quem não aprova a cinegrafia nacional, a série original da Netflix chega para mudar opiniões e expor discussões atuais.

Maria Luiza (Maria Casadevall) é o ponto de partida da série. Em 1958, a paulista, mãe e “filha de fazendeiro” se muda para o Rio para encontrar-se com o marido e retomarem o sonho do restaurante na Cidade Maravilhosa. Ao descobrir mentiras e traições, Malu decide transformar o local do restaurante em um clube de música.

Durante o processo, Malu conta com o apoio de outras três mulheres: Adélia (Pathy Dejesus) residente da periferia que trabalha como doméstica para sustentar a família; Thereza (Mel Lisboa) uma jornalista com pensamentos e ideias sociais; e Lígia (Fernanda Vasconcellos), amiga de longa data que abriu mão do sonho de ser cantora para se casar com político de família tradicional;

Adélia, Malu, Thereza e Lígia em Coisa Mais Linda – Créditos: Divulgação/Netflix

As quatro mulheres enfrentam dificuldades “dignas de uma dama”, dramas da vida real. O machismo, o racismo e a misoginia estão explícitos na história. Em comum, as protagonistas buscam liberdade em um contexto político-social no qual as mulheres não tinham espaço e nem vez. No caso de Adélia, mulher negra, a desigualdade racial soma-se à de gênero.

Malu perde o apoio, financeiro e imaterial, do pai e não consegue créditos para o negócio por ser mulher; Adélia sofre nas mãos de uma patroa branca e racista para levar comida para a irmã e a filha; Thereza vive o machismo à cada reunião de pauta, sendo a única mulher na redação; Lígia, por sua vez, apanha e vive de aparências para que tudo ocorra bem na campanha eleitoral do marido.

Traços de João Gilberto, Chico Buarque, Nara Leão e Maysa Matarazzo, se misturam em personagens distintos e adicionam uma pitada de realidade aos episódios. Também fazem parte do elenco Leandro Lima como Chico; Ícaro Silva como Capitão; Thaila Ayala como Helô; e Alexandre Cioletti como Mario Nelson Diniz. (Veja a entrevista completa com o elenco).

Principais atores de Coisa Mais Linda – Créditos: Divulgação/Netflix

A série foi criada pela norte-americana apreciadora da Bossa Nova, Heather Roth e Giuliano Cedroni, roteirista e produtor brasileiro. A primeira e única temporada, foi produzida no Rio de Janeiro pela Prodigo Films.

A fotografia e a música são elementos que não passam despercebidos na produção. A paleta de cores que remete a série ambientada nos anos de 1960 “Mad Men”, o figurino que lembra o seriado “Marvelous Mrs Maisel” e a trilha sonora inspirada na Bossa Nova se encaixam em cada cena.

Lígia e o marido em Coisa Mais Linda – Créditos: Divulgação/Netflix

Apesar da ideia central da produção ser abordar o feminismo, o objetivo da série não é explicar o movimento. Durante os sete episódios de quase uma hora é possível identificar discussões sociais antigas, como a permissão de homens para operações de crédito e desquite, e atuais, como racismo, violência contra a mulher e a difícil relação entre patrão e empregado. Para quem deseja maratonar, a série estreou em 22 de março é uma ótima pedida (já que eu mesma assisti em menos de 24h).

Confira o trailer:


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