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Análise | Game of Thrones – S08 Ep05

Penúltimo episódio conta com fogo, sangue e roteiro apressado


Game of Thrones entregou, no quinto e penúltimo episódio da oitava temporada, diversas conclusões de arcos. Fogo e sangue foram aspectos destacáveis de “Os Sinos”. Entretanto, existe a ressalva de que houve pressa exagerada no desenvolvimento da história. A aguardada guerra pelo Trono de Ferro enfim ocorreu, mas será que os meios (leia-se oito temporadas) justificam o ponto em que a série chegou?

De fato foi um episódio equilibrado, com dois extremos: tedioso nos minutos iniciais, imponente do segundo ato em diante. Isso porque os diálogos do começo agregam pouco em termos de narrativa, talvez pela timidez e pouca inspiração no roteiro de David Benioff & D. B. Weiss – ou pelo distanciamento dos livros basilares de George R. R. Martin. E pela evolução de Daenerys Targaryen, que demonstrou sua força bélica e política para tornar-se um interessante ponto de virada no episódio.

Inúmeras pistas foram deixadas ao longo dos anos sobre sua loucura. Execuções cruéis são bons exemplos, para citar uma em específico: Varys, cuja traição fez a Quebradora de Correntes remoer os conselhos recebidos e fazer Porto Real arder em chamas por meio de Drogon. A atitude foi, ao mesmo tempo, realmente interessante e injustificável. Ora, se ao menos sua insatisfação com o povo de Westeros fosse trabalhada com mais tempo, seria compreensível matar inocentes. Mas não, a pressa em entregar essa reviravolta fez a mudança da personagem acontecer em torno de 30 minutos. Difícil de engolir.

Quando os sinos tocam, assinalam a rendição do povo e Daenerys avança, fica claro que Game of Thrones nunca se propôs a ter um enredo preto no branco. E é perceptível o arrependimento de Jon Snow e Tyrion Lannister por apoiarem, agora, alguém com atitudes que os dois repudiam. Os dois serão fundamentais para o próximo episódio e cabe a torcida para que os showrunners não arruínem as belas trajetórias dos personagens.

A dobradinha efeitos visuais e trilha sonora é o que eleva, mais uma vez, a qualidade do enredo. As cenas que entregam pouco do visual do dragão são compensadas pela destruição brutal e de sofrimento. Existe também a sensação do sufoco nas ruas de Porto Real, de suspense, para que fiquemos apreensivos do que está por vir nos segundos seguintes. O que vem a seguir são desfechos antecipados.

O Clegane Bowl, embate dos irmãos Sandor e Gregor, entra para a esfera de cenas emblemáticas da série. O único fim possível dentro da história foi feito com respeito para ambos. São cenas de bons guerreiros em um cenário que cai aos pedaços, combinadas com um dragão ao fundo pelo céu e o entrelaçamento das cenas de Arya Stark. Respeito que faltou no encerramento do arco de Euron Greyjoy, ridiculamente empurrado em nossas goelas. E na conclusão entre Cersei e Jaime Lannister. Morreram juntos pelo amor, só que de forma gratuita e preguiçosa.

É importante dizer que Game of Thrones nunca se propôs a apresentar mocinhos contra vilões e nem mesmo ter apego aos protagonistas. Agora que a culminação dos conflitos chegou, no entanto, a pressa tomou o protagonismo para si e deixou um gosto amargo na boca dos fãs. O que fica é a dúvida se o último episódio terá forças para amarrar as pontas soltas e sobressair aos erros feitos até o momento.

NOTA: 8.


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